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9 de Agosto de 2018

As ICO (Ofertas Iniciais de Moeda) deveriam ser como as IPO (Ofertas Públicas Iniciais) sem os intermediários de Wall Street e sem Washington se intrometendo. Porém, atualmente parecem um pouco menos «revolucionárias».

Start-ups focadas na tecnologia blockchain reuniram 18 bilhões de dólares através de ICO este ano — quase cinco vezes o total do ano passado, de acordo com a CoinSchedule. Contudo, ao contrário do verificado em 2017, as vendas de grande sucesso envolveram investidores acreditados (ler: abastados) em vez de qualquer indivíduo com ligação à Internet. A Telegram, por exemplo, reuniu 1,7 bilhões de dólares dessa forma, o que alegadamente a levou a cancelar a venda pública de tokens — e entre as dez maiores ICO deste ano se destaca que as vendas da Tatatu (575 milhões de dólares) e da Basis também derivaram de financiamento privado.

Reguladores por todo o mundo se tornaram mais vigilantes quanto a potenciais fraudes sob a forma de ICO, se focando sobretudo em vendas públicas. Assim, à medida que o escrutínio regulatório se intensifica, são mais as start-ups considerando mais fácil a angariação de fundos junto de investidores privados, cujo interesse pelas criptomoedas também aumentou. Falamos de investidores institucionais, incluindo capitalistas de risco ou escritórios detrás de fundos de cobertura. Tal tornou as criptomoedas um pouco menos semelhantes ao velho oeste e mais como investimento tradicional.

«Este espaço passou de três coisas com as quais [um emissor de ICO tem de] se preocupar para trinta coisas com as quais se preocupar — e essas trinta coisas são bastante parecidas às finanças tradicionais,» — Afirmou Lex Sokolin, diretor geral da estratégia de fintech na Autonomous Research em Londres.

Na sua gênese as ICO se tornaram uma forma de as start-ups focadas no setor reunirem fundos através da venda de tokens associados ao seu potencial produto ou serviço. O processo costumava ser o seguinte: os fundadores criavam uma página online, o mais detalhada possível, partilhavam um Livro Branco com informação sobre o seu projeto, divulgavam a sua atividade nas redes sociais e acabavam reunindo fundos sob a forma de Bitcoin (Bitcoin: BITCOIN) ou Ethereum. Todavia, à medida que o mercado de ICO disparou, em simultâneo com o impressionante desempenho das criptomoedas no ano passado, tudo ficou mais complexo.

De fato, cerca de 18% dos fundos angariados através de ICO este ano foram avançados exclusivamente através de vendas privadas — e 37% das ICO conduziram pré-vendas privadas, de acordo com dados da CoinSchedule.

Tal poderá sugerir que as ICO poderão ter perdido parte do seu «charme» inicial. Porém, talvez a sua grande inovação seja a sua «tecnologia» — transformar ativos ilíquidos em tokens negociáveis — em vez de o derrubar de um sistema onde o financiamento de risco é dominado por investidores institucionais e indivíduos abastados. Além disso, a crescente fraude no setor, as iniciativas regulatórias à volta do mundo e a queda observada no mercado de criptomoedas no início deste ano também tornaram claro que aplicar as economias a tokens não será, provavelmente, a melhor opção para o investidor médio.

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