A epidemia das Ofertas Iniciais de Moeda
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4 Abril
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Ben Lee, fundador e diretor executivo da agência de desenvolvimento digital Neon Roots, partilha a sua opinião quanto à abundância de Ofertas Iniciais de Moeda no mercado

Tal como uma Oferta Pública Inicial (IPO), uma Oferta Inicial de Moeda (ICO) permite o financiamento coletivo de uma empresa — normalmente start-up — que lance uma nova criptomoeda. A Telegram, serviço de mensagens instantâneas baseado na nuvem, está prestes a receber mais de 2 bilhões de dólares graças à sua ICO, por exemplo.

Porém, têm sido várias as empresas tentando iniciativas fraudulentas para aumentar os seus fundos: a Miroskii declarou ter Ryan Gosling na equipe — e recebeu perto de 850 000 dólares de financiamento no lançamento da sua ICO. Outras reuniram financiamento deixando os seus investidores com um Livro Branco que não dizia nada além de «pênis».

Na verdade, enquanto proprietário de uma agência digital já vi de tudo — da tecnologia blockchain prometendo revolucionar a forma como se monitoriza o tráfico de crianças até à Ethereum asseverando ser capaz de revolucionar a rastreabilidade de produtos na indústria das frutas e legumes.

E continuo cético.

Não defendo ou critico a blockchain. Na verdade, tento me manter calado quanto a tudo o que se relaciona com criptomoedas e tecnologia associada quando falo com a imprensa — principalmente em uma altura em que o perito em criptomoedas que não prevê a queda de x% é, de repente, encarado como idiota.

O maior problema que tenho com as start-ups e Ofertas Iniciais de Moeda relacionadas com criptomoedas são os maus atores. Personagens que se reinventam como peritos em criptomoedas ou gurus da blockchain, passam a usar camisolas pretas de gola alta e escrevem crypto visionary nas suas páginas no LinkedIn.

Eis o problema: a maioria não está criando tecnologia real. Me dizem assim: «Ben, acabamos de lançar uma Oferta Inicial de Moeda para reunir 20 milhões, mas não estamos preparados para trabalhar no desenvolvimento. Você pode nos ajudar com alguns designs para o aplicativo e para as landing pages

É assim que soa ter uma agência digital nos dias de hoje.

O ecossistema das start-ups está prosperando com inovadores e visionários em todo o lado e a tecnologia blockchain tem potencial para mudar o mundo — mas exige que os indivíduos usem realmente os fundos angariados para criar tecnologia real. O setor das criptomoedas é verdadeiramente o futuro — mas precisa de uma limpeza.

Me recordo de quando a epidemia das ICO explodiu no ano passado e estavam todos preocupados com a escassez de engenheiros. «Ei, sabe de algum desenvolvedor com conhecimentos de C++?» Ou «Consegue me encontrar um desenvolvedor que tenha trabalhado com tokens ERC20?» E mais: «Pagamos em dinheiro e criptomoedas!»

Bem, o paradoxo aqui é que a maioria destes jogadores não está realizando grandes desenvolvimentos além de ativos de marketing, o que significa que muitos desenvolvedores de criptografia não estão escrevendo código. As empresas não estão criando código aberto como a sua declaração de missão dizia que fariam.

Assim, o mercado precisa de uma limpeza — uma limpeza dos maus e duvidosos atores atraídos por grandes ganhos. Eu, por exemplo, permaneço extremamente cauteloso de cada vez que vejo alguém tentando construir produtos relacionados com criptomoedas. São poucos os que estão realmente construindo tecnologia real para mudar o mercado.

Não me interpretem mal: as criptomoedas e a blockchain são o futuro. Não há dúvidas quanto a isso. No entanto, antes de vermos esse futuro temos de esperar que a poeira assente sobre as fraudes e golpes.

Fonte: Forbes

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