Vêm aí os desportos robóticos
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Numa tentativa de futurologia, apresentamos 7 razões para que os desportos de robôs se tornem cada vez mais populares.

Quando tinha 13 anos segui uma temporada do Battle Bots no Comedy Central e tentei construir um robô assassino na arrecadação dos meus pais. Provavelmente estão a pensar, oh, provavelmente foi um miúdo estranho (e têm toda a razão), mas acho que eventualmente, este tipo de comportamento vai acabar por se tornar normal para as pessoas de todas as partes do planeta. Já chegou a ter os seus momentos na ribalta, mas uma série de fatores dá a entender que os desportos robóticos estão destinados a ser apresentados no horário nobre da televisão nos próximos 5 anos.

1. Um drone a voar pela floresta a quase 130 km/h é uma coisa incrível

Surgiu recentemente uma nova classe de robôs (os Quadcopter com sistema FPV) e a qualidade dos vídeos que produz são alucinantes. Os robôs conseguem fazer coisas que nos fascinam mas que se não os tivéssemos, normalmente teríamos de correr riscos para as podermos fazer. Os drones do tamanho de um prato podem atravessar uma floresta como se fosse um inseto. Um “bot” que dispare chamas pode rebentar com um rival numa gaiola de plexiglass.

Podem até argumentar que a “emoção” destes momentos é anulada se a pessoa não estiver a arriscar a própria vida, e até certo ponto têm razão. Os acidentes no NASCAR são intrinsecamente dramáticos, mas não é preciso pôr os condutores a arder para fazer os fãs vibrarem.

Veja o sucesso que os e-sports têm vindo a ganhar. Esta equipa de League of Legends senta-se numa redoma com ar condicionado e com Red Bull à disposição enquanto uma arena lotada desvaira em plenos pulmões. Não enfrentam qualquer tipo de perigo físico mas 31 milhões de fãs estão a assistir ao jogo online.

O que interessa aqui é que o desporto parece fantástico em vídeo e os fãs sentem uma forte ligação com os jogadores. E hoje em dia, o vídeo na sua forma mais bruta é algo impressionante.

2. As peças para construir robôs têm vindo a tornar-se cada vez mais baratas, melhores e acessíveis

Quando eu era miúdo estava limitado às coisas que a Radio Shack ou qualquer outra loja de hardware na localidade disponibilizava. Agora posso ir ao Amazon, encontrar peças com críticas fantásticas e recebê-las em casa num dia. A comunidade deste hobby precisou de muitos anos para desenvolver a sua tecnologia e aumentar a qualidade. Marcas como a Fat Shark, a Spektrum e a Adafruit foram as maiores contribuidoras para tal.

3. As melhores universidades competem umas com as outras para conseguirem ficar com adolescentes que vencem competições

Se és bom a construir um robô, então é provável que tenhas um dom para a engenharia, matemática, física e para uma série de outras competências que as melhores universidades anseiam por ter no seu corpo de alunos. Isto é um aspeto interessante para qualquer um (e de qualquer idade), no entanto, é especialmente relevante para estudantes e pais que estejam a pensar em que área é melhor investir.

Já existem algumas escolas que oferecem bolsas de estudos para e-sports. Não ficaria muito surpreendido se as ligas interuniversidades fossem umas das primeiras a surgir com a onda.

4. O exército quer tornar-se melhor a criar robôs para o campo de batalha

Esta aqui é um pouco tramada mas vale a pena ficar a conhecer. Os drones (de todos os tamanhos) estão a ser a principal tecnologia a mudar os campos de batalhas dos nossos dias. A DARPA tem um interesse tremendo em manter-se a par das últimas tecnologias e já está a patrocinar competições robóticas académicas (e no valor de milhões de dólares). Cabe agora à comunidade decidir como deve (ou não) integrá-los. E não me refiro apenas ao aparato militar gigantesco dos Estados Unidos, qualquer outra organização militar de qualquer parte do mundo que queira desenvolver e recrutar pessoas para lhes proporcionar defesas (e ofensas) do séc. XXI também se inclui neste grupo.

5. Os ricos são excecionalmente atraídos por estas máquinas

Não é por acaso que a Rolex patrocina a Le Mans. Embora seja um número relativamente pequeno de pessoas que assiste a esta corrida, a verdade é que é constituída por uma mistura dos melhores engenheiros e fabricantes. Muitas das pessoas que se tornaram multimilionárias nos últimos 20 anos foi graças à Internet ou por se relacionarem de alguma forma com a indústria tecnológica. Têm dinheiro que chegue para gastarem em coisas que os entretenha ou aos amigos e a robótica é uma extensão natural disso. Não foi há muito tempo que Mark Zuckerberg deixou uma mensagem na página do Facebook de um dos primeiros drones de corrida do mundo.

6. O prémio em dinheiro está lá para quem o quiser

Na semana passada fui a uma corrida de drones na Califórnia em que o prémio eram 25.000 dólares. Não é nada mau para começar, contudo, com o evento certo e as questões legais tratadas, é fácil imaginar prémios com vários múltiplos desse. As marcas adoram a NASCAR porque há pessoas a olhar para os seus logótipos a andarem a aproximadamente 322 km/h. Existem já uma mão cheia de pilotos de drones com sistema FPV que são tão bons naquilo que fazem que já têm empresas a patrociná-los e isto acabou por se tornar no seu trabalho a tempo inteiro. À medida que o prémio em dinheiro e o valor da produção destes eventos aumentam, é fácil imaginar que haverá um grupo muito maior de pessoas capazes de se comprometer com isto a tempo inteiro. Algo parecido com o que aconteceu com alguns skaters nos anos 90.

7. O Quidditch pode tornar-se real

O aspeto mais excitante deste campo é que neste momento não se sabe qual será o desporto robótico que acabará por atrair mais atenção e criar mais entretenimento. O Battle Bots foi o primeiro a conseguir uma tentativa legítima no horário nobre de um canal na televisão por cabo (e atualmente no ABC) mas é um de muitos. As corridas de drones com sistema FPV são incrivelmente populares neste momento e não é muito difícil imaginar as formas malucas que se irão desenvolver a partir daí. E depois temos ideias loucas a chegar à Internet como a batalha de robôs gigantes entre o Japão e os EUA a ter lugar no início do próximo ano.

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