Genesis Block: a história do primeiro bloco da Bitcoin
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12 Abril
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Saiba um pouco mais sobre a gênese da maior criptomoeda do mundo

Um desenvolvedor anônimo conhecido por Satoshi Nakamoto fez história a 3 de janeiro de 2009 quando lançou o Genesis Block no Sourceforge — o bloco original da Bitcoin, contendo as primeiras 50 bitcoins.

Nakamoto deixou uma mensagem no código do bloco:

«Tesouro britânico à beira do segundo resgate bancário, 03/Jan/2009, The Times»

A mensagem correspondia a manchete de artigo publicado no The Times a 3 de janeiro de 2009 — que detalhava o resgate de bancos pelo governo britânico. Embora Nakamoto nunca tenha partilhado claramente o significado da mensagem, muitos a interpretaram como uma referência à razão pela qual desenvolveu a Bitcoin (Bitcoin): eliminar a necessidade de intermediários, como os bancos, criando uma moeda voltada para as pessoas.

A origem do bloco gênese (genesis block) está tão envolta em mistério como o próprio Nakamoto, persistindo questões quanto à razão pela qual as bitcoins do bloco original não podem ser usadas, quanto ao fato de o bloco subsequente ter levado seis dias a ser minerado e quanto ao motivo pelo qual se transferem bitcoins, hoje em dia, para o bloco gênese. Analisamos esses pontos de seguida.

Que haja Bitcoin!

O bloco gênese, também conhecido como bloco 0, é o antepassado até ao qual todos os outros blocos de Bitcoin podem traçar a sua linhagem, uma vez que cada Bitcoin remonta a uma Bitcoin passada. Nakamoto minerou o bloco original em uma unidade central de processamento — se recordando que hoje são usadas placas gráficas especializadas. Na altura não teve qualquer concorrência uma vez que ninguém sabia da existência da Bitcoin e a mesma não valia nada — pelo menos em termos de moeda com valor intrínseco.

Nessa altura, a Bitcoin foi mais uma experiência do que qualquer outra coisa e levou cerca de um ano a «pegar». Teria sido incrivelmente fácil para os atuais mineiros resolver os blocos iniciais, com dificuldade nível 1, muito longe da atual dificuldade nível 3 511 060 552 899 (12 de abril de 2018).

O bloco seguinte, conhecido como bloco 1, só foi minerado passados seis dias, a 9 de janeiro — uma questão estranha uma vez que a média de diferença entre blocos corresponde a dez minutos. Existem algumas teorias em torno do atraso: alguns avançam que Nakamoto passou seis dias minerando o bloco original para testar o sistema e garantir que se encontrava estável, enquanto seguidores mais espirituais acreditam que o desenvolvedor tinha como intenção recriar a história do descanso de Deus após ter criado o mundo em seis dias.

Em honra de Satoshi

Desde os primeiros dias do sistema que usuários enviam bitcoins para o endereço original de Satoshi em homenagem ao mesmo — doações com um significado ainda mais simbólico uma vez que é bastante possível que não possam/venham a ser usadas. Não se sabe se o objetivo de Nakamoto era que as bitcoins do bloco original não fossem, de fato, usadas ou se se tratou de um engano. De qualquer das formas, o bloco gênese se tornou sinônimo de Nakamoto e existe como espinha dorsal do projeto e como espécie de santuário para os fãs enviarem as suas bitcoins, um pouco como um poço de desejos.

Além disso, o bloco gênese continua, para vários devotos da Bitcoin, a chave para identificar Satoshi Nakamoto em si — uma vez que só o próprio será capaz de usar a chave privada associado ao mesmo.

Um Deus benevolente

Nakamoto minerou bitcoins por alguns anos depois de ter criado o bloco gênese. Como tinha pouca concorrência se tornou rapidamente o maior detentor de bitcoins, um título que mantém até hoje, se estimando que tenha cerca de 1 milhão. Entretanto, Nakamoto desapareceu totalmente em 2011 e não moveu as suas criptomoedas desde aí. Mais: nunca fez um esforço para sacar as mesmas, nem mesmo antes de desaparecer.

O seu desaparecimento surge como ausência calmante para os mineiros de Bitcoin, pois se alguma vez Nakamoto decidir voltar poderá causar estragos em toda a infraestrutura. Se tiver esse capricho poderá inundar o mercado com o seu milhão de bitcoins, aniquilando o valor da criptomoeda ao introduzir tanta oferta no sistema — uma Bitcoin individual se tornaria significativamente menos rara, passando a valer menos.

Talvez as ofertas de bitcoins encontradas no bloco gênese sejam entendidas quase como um sacrifício religioso, ou talvez como um pequeno «obrigado» ao criador anônimo. De qualquer das formas, Satoshi Nakamoto lança uma longa sombra sobre a sua criação e à medida que o preço da Bitcoin sobe, e esta se torna convencional em todo o mundo, mais e mais atenção será dada às dicas que deixou no bloco gênese.

Fonte: Investopedia

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